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terça-feira, julho 24

Poesia para ... ouVER


No próximo sábado vai ser uma sessão de poesia muito particular: os poemas têm um suporte audiovisual.
António Gedeão, José Gomes Ferreira, Ruy Belo e Natália Correia são alguns dos poetas invocados...
Apareçam!


terça-feira, junho 12

Apareçam!


Um tema cada vez mais atual, ilustrado pelos poemas de Ary dos Santos, Egito Gonçalves, Miguel Torga, Sophia de Mello, Pablo Neruda e muitos outros...



quarta-feira, maio 9

É já no próximo sábado

Espetáculo único criado expressamente para abrir o Ciclo de Primavera da Biblioteca Pública Municipal do Porto.
Entrada: 5,00 €


terça-feira, maio 8

Mais uma vez, dissemos: PRESENTE!


No âmbito das comemorações do 7º aniversário da Biblioteca Municipal Florbela Espanca, o 7º 5 participou, hoje, 8 de maio, numa interessante tertúlia poética com o poeta brasileiro Carlos Cavalcanti, autor do livro Gênese do Tempo, entre outros.

Para nosso "espanto", foram lidos em braille alguns poemas do livro Gênese do Tempo por um representante da ACAPO.
No final, visitámos a mostra de "Renda Renascença" (artesanato pernambucano).
Biblioteca Florbela Espanca, até à próxima!

quarta-feira, abril 25

ANTES e DEPOIS de ABRIL


Desgraçadamente nascemos nesse tempo,
crescemos tristemente
por dentro de anos tão ocos
quão cheios de pedras aceradas
e de vozes tantas vezes inaudíveis.

Que eu esqueça desses anos
o cheiro da pobreza,
o bolor das horas magoadas,
o medo, a cela, a incerteza
e apenas recorde o calor do sangue
lutando por correr,
lutando por achar o caminho da manhã.

Que o clamor das ruas de novo me visite
como então as visitei e percorri
com a morte em sentido contrário,
como então as visitei e percorri
em busca do sol
que no quarto mês do ano renasceu
vestido de vermelho.

Que o espanto de novo me visite,
nessas ruas onde a voz aprendeu a nomear
o que as palavras mais puras
desde sempre reclamaram:
o pão e a justiça, a liberdade
palavras tão gastas que dos versos
por estúpido pudor, burguês, as exilaram.

                                                        João Pedro Mésseder

Liberdade



— Liberdade, que estais no céu...
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pão de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.

— Liberdade, que estais na terra...
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.

Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.

                                                      Miguel Torga




Letra para um Hino


É possível falar sem um nó na garganta
é possível amar sem que venham proibir
é possível correr sem que seja a fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.

É possível andar sem olhar para o chão
é possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros
se te apetece dizer não grita comigo: não.

É possível viver de outro modo. É
possível transformares em arma a tua mão.
É possível o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.

Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser homem.
É possível ser livre livre livre.

                                                                   Manuel Alegre

Poemas: Conquista e Liberdade

Conquista

Livre não sou, que nem a própria vida
Mo consente.
Mas a minha aguerrida
Teimosia
É quebrar dia a dia
Um grilhão da corrente.

Livre não sou, mas quero a liberdade.
Trago-a dentro de mim como um destino.
E vão lá desdizer o sonho do menino
Que se afogou e flutua
Entre nenúfares de serenidade
Depois de ter a lua!

                                                         Miguel Torga

LIBERDADE

Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte.

Para que eu possa um dia contemplar-te
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por maior risco em que essa audácia importe.


Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.


E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome”


                                                                    Carlos Marighella
                                                                                   



Liberdade


A união faz a força!
 Liberdade eu te sei raiz do peito
a rasgar esta terra carne minha
onde a luta se faz caudal e leito,
onde a esperança, por vezes, vai sozinha;

Eu te sei voz da voz de um povo eleito
por Abril embarcado, manhãzinha,
na aventura de um mundo de outro jeito,
de outra fé, de outro sonho que não tinha;

Eu te sei, eu te canto, eu te ofereço
a paixão que me aquece desde o berço
num poema de carne e força igual

À dos ventos, marés, tremores de terra,
para erguer-te mais alto que a alta serra
com o povo nas mãos e Portugal!

                                              CARVALHO, A. M. Pinto

Flor da Liberdade


Sombra dos mortos, maldição dos vivos.
Também nós... Também nós... E o sol recua.
Apenas o teu rosto continua
A sorrir como dantes,
Liberdade!
Liberdade do homem sobre a terra,
Ou debaixo da terra.
Liberdade!
O não inconformado que se diz
A Deus, à tirania, à eternidade.

Sepultos insepultos,
Vivos amortalhados,
Passados e presentes cidadãos:
Temos nas nossas mãos
O terrível poder de recusar!
E é essa flor que nunca desespera
No jardim da perpétua primavera.

                                                      Miguel Torga


Eu falo da primeira liberdade

                    Eu falo da primeira liberdade
                    Do primeiro dia que era mar e luz
                    Dança brisa ramagens e segredo
                    E um primeiro amor morto tão cedo
                    Que em tudo o que era vivo se encarnava

Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, abril 22

«Sobrevivência»

No próximo dia 26 do corrente mês de abril, a Poetria realiza, às 21h30, uma sessão de poesia no Espaço Gesto, na Rua José Falcão, 107, Porto, sobre o tema SOBREVIVÊNCIA.

Na Porta XIII

quinta-feira, março 29

Verlaine nasceu a 30 de março de 1844

Poeta francês, Paul Verlaine nasceu em Metz e faleceu a 8 de janeiro de 1896, em Paris.
Paul Verlaine publicou, em 1866, o seu primeiro livro, Poèmes Saturniens, seguido de Fêtes Galantes (1869), La Bonne Chanson, Romances Sans Paroles, Ars poétique (1874), Jadis et naguère, Sagesse (1877), Les Poètes Maudits (1886).
Considerado, em 1894, O Príncipe dos Poetas franceses pelos seus contemporâneos, Paul Verlaine foi um dos líderes do Simbolismo, movimento que busca a espiritualidade e transcendência metafísica.
Apesar de ter morrido na miséria, o seu funeral foi acompanhado por milhares de pessoas.

quarta-feira, março 21

Como hoje é o Dia Mundial da Poesia

                      
            APELO À POESIA

Porque vieste? - Não chamei por ti!
Era tão natural o que eu pensava,
(Nem triste, nem alegre, de maneira
Que pudesse sentir a tua falta...)
E tu vieste,
Como se fosses necessária!

Poesia! nunca mais venhas assim:
Pé ante pé, cobardemente oculta
Nas ideias mais simples,
Nos mais ingénuos sentimentos:
Um sorriso, um olhar, uma lembrança...
– Não sejas como o Amor!

É verdade que vens, como se fosses
Uma parte de mim que vive longe,
Presa ao meu coração
Por um elo invisível;
Mas não regresses mais sem que eu te chame,
– Não sejas como a Saudade!

De súbito, arrebatas-me, através
De zonas espectrais, de ignotos climas;
E, quando desço à vida, já não sei
Onde era o meu lugar...
Poesia! nunca mais venhas assim
– Não sejas como a Loucura!

Embora a dor me fira, de tal modo
Que só as tuas mãos saibam curar-me,
Ou ninguém, se não tu, possa entender
O meu contentamento...
Não venhas nunca mais sem que eu te chame,
– Não sejas como a Morte!

                                               Carlos Queirós
                                               De Desaparecido, 1935

21 de março: Dia Mundial da Poesia

Com o objetivo de promover o gosto pela leitura da poesia, o dia 21 de março foi designado pela UNESCO, em novembro de 1999, como a data anual da comemoração do DIA MUNDIAL DA POESIA.
Com esta ação, a UNESCO reconheceu a necessidade da recuperação das tradições orais e a importância do papel da poesia nas artes e culturas ao longo dos tempos em todo o mundo.
O primeiro Dia Mundial da Poesia comemorou-se em 2000.